sábado, 27 de fevereiro de 2016

Mergulhamento

Quanto mais me mergulho,
Mais me encontro:
Como pés na superfície
Da água

Feito mergulho em mim,
Estou.

O que é saber quem eu sou?
Talvez seja saber os limites
Da água turva sobre meus pés.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Quando eu flor

Quando eu era espinho,
Era você jogando sementes.

Quando eu semente,
Era você terreno de espinho.

Quando eu terreno,
Era você gotas de chuva no meio dos espinhos.

Quando eu chuva,
Era você colhendo flor.

Quando eu flor,
Eu me perdi entre as cores do jardim,
Mas eu sentia que era você o jardineiro da minha cor.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Remavento


E tudo se inverteu:
Eramos um barquinho
De dois remos,
Agora somos,
Náufragos de um barco só.

E quanto mais eu remo,
Menos te encontro.
E se paro para a olhar a paisagem,
Te vejo em algum lugar.

Há noites de chuva e frio,
Que fazem o remar pausar.
E vem o nascer do dia,
Para forças me dar.

E se canso? Eu deixo o vento me levar.
Quem sabe esse remavento,
Me leve para uma terra firme
Para um pouco, me repousar.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Cabimento

Quando um dia bom,
Couber em um
Copo de vinho:
São os efeitos
Dos dias que nos
Enchem os peitos,
Dos bons cabimentos 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Enquanto você dormia - II


 


Enquanto você dormia,
Eu bebia
Sabores que eu precisava
Sentir...

Para poder dormir,
Nem que fosse uma
Pequena dose...

Do dissador,
Da nossa bebida preferida,
Mas sem companhia
Do nosso ardor...
Só me resta a poesia espreita,
Em dissipados goles de inspiração.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Desligamento

Foto: 2015

Logo eu que sou toda chave geral,
Deixei tudo ser ligado no 220,
Sem se preocupar
Com o pós choque,
Mesmo que fora do normal.

E agora que de tomada
Em tomada
Vai se desligando:
Igual a lâmpada daquela praça
Que queimou,
Mas resistia em pequenos lampejos.
Ficou-se sem graça, sem risadas,
sem noites de histórias encantadas
pra gente contar.

É o nosso tempo de desligamento
A soar.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Pelo vidro da janela - C70

Foto: Rio de Janeiro (RJ )2015

A sombra que lá estava se perdeu em suas lentes
A vontade que existia era seguir em frente
Mas a dor que consumia era algo latente

Certezas, dúvidas, perguntas sempre
retornarão à sua mente
Os olhos foram incapazes de
esconder o que sente

Ritmo, pausa, desafino e desafios
Do ato ao abstrato na fração de um
átomo
Louco, mas sensato
Ingênuo, mas sincero

To SH

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Zero


E se me perguntar quantos zeros eu tenho,
A conta eu já perdi.

Só não perdi a conta,
Daquele dia que o nosso zero se passou:
E o nosso tempo parou,
Sem qualquer numeração
e eu deitei no seu peito e senti seu coração.

Se zerada agora estou,
Mais um dia, menos um dia,
Esta difícil conter estes números
No sono de qualquer canção,

Este zero não cabe em minha mão.

Foto: Rio de Janeiro (RJ)/2015

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Funilamento

Foto: São Paulo - Julho/2014

Somos funis
que se espreitam
com o tempo:
e já não deixam
qualquer coisa,
passar

Porque, no final
somos estreitos:
um dia,
o que foi,
já não cabe mais

Teus dias dilatados,
ora se vão.
O funilamento:
há sempre de chegar.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Diasfriamento

Foto: Jan/2014 - Vinhedo/ SP

Nem sempre é nosso dia.

Meu pai já dizia:
Minha filha
banho gelado é bom,
o corpo acorda, a pele arrepia e a mente esvazia.


Amanhã, é outra fria.